
O espectrômetro é um equipamento que faz a verificação do teor de ouro na liga por fluorescência de raio-X. Ele faz uma varredura cobrindo pontos da peça e emite um gráfico com as concentrações de metal, indicando se o teor é exatamente aquele indicado pelo fabricante. “O equipamento fornece a indicação de teor, ou seja, quanto de outro fino existe precisamente na amostra. Ele detecta todos os componentes, todos os tipos de metais e em que percentuais aparecem”, explicou a especialista em Joias da Firjan, Eliana Andrello.
A tecnologia foi apresentada pela pesquisadora do Cetem Bruna Rabelo, que desenvolveu, durante dois anos, testes interlaboratorias entre as duas instituições, visando aprimorar os parâmetros para a obtenção de resultados cada vez mais precisos. Hoje, o Laboratório da Joia é o único centro no Brasil a oferecer, no mesmo lugar, diversos serviços que fazem parte do processo de produção de joias, que inclui, além da indicação de teor, a prototipagem rápida, injeção de cera e moldagem.
De acordo com Eliana Andrello, o objetivo do trabalho com o Cetem é buscar a acreditação do Laboratório internacionalmente. “O primeiro desafio para a evolução deste trabalho nós já superamos, que foi encontrar um parceiro com o mesmo equipamento para realizarmos as pesquisas e desenvolvimento da tecnologia”, explicou.O Laboratório tem o certificado de competência técnica, que permite emitir um boletim de indicação de teor com a descrição quantitativa da liga de acordo com as normas brasileiras. Com a acreditação, ele poderá emitir a certificação com a chancela internacional. “Mais do que um serviço, o objetivo é oferecer uma ferramenta para dar mais confiança ao consumidor e ao empresário, que também pode fazer a verificação do material que recebe dos seus fornecedores. É uma forma de criar mais legalização”, explicou.
Segundo o geólogo Jurgen Schnellrath, coordenador da pesquisa no Cetem, um novo acordo de cooperação técnica com o Senai vai permitir a evolução das pesquisas. Segundo ele, a espectrometria ainda não é tão precisa quanto a copelação, porém, com a vantagem de não ser um método destrutivo. “Acredito que ela é a bola da vez. Quanto mais padrões tivermos, melhor será a análise, por isso precisamos dar continuidade às pesquisas. O mercado também pode ser mais participativo neste processo, trazendo seus materiais para estudo”, disse.

Ainda de acordo com Jurgen, outra vantagem da espectrometria é que ela indica todos os outros elementos que compõem a liga, ao contrário da copelação que apenas separa o ouro e a prata dos metais comuns. Este fator é importante para a verificação de elementos nocivos à saúde como chumbo e o cádmio, que não podem mais ser usados em joias segundo determinação do Inmetro.
Após a palestra, foram realizadas demonstrações no equipamento com as joias trazidas pelos empresários que participaram do workshop. O processo dura poucos minutos e mostra a quantidade de ouro na liga, que deve ser exatamente igual ou superior ao indicado.
Centro de referência para designers e joalheiros no Rio de Janeiro, o Laboratório, idealizado pela Ajorio e inaugurado pela Firjan em 2017 oferece cursos de formação e disponibiliza equipamentos de última geração para pequenos e médios empresários. As matrículas estão abertas para os cursos de Técnicas Básicas de Confecção de Joias, Modelagem 3D Básico, Metalurgia Básica, Técnicas Básicas de Cravação e Modelagem 3D Avançado, Criação e Prototipagem de Joias e Bijuterias. Mais informações pelo site www.cursosenairio.com.br ou pelo tel. 4002-0231.








