No contexto de verdadeira comoção social em que nos encontramos, o setor joalheiro foi citado diversas vezes como beneficiário de um programa de incentivos fiscais negociado com o governo do Estado.
Antes de avaliarmos os resultados obtidos no âmbito do programa, cabe ressaltar que ele foi negociado publicamente, “à luz do dia”, sem nenhuma espécie de contrapartida ilegal por parte da AJORIO, sendo conduzido com lisura e profissionalismo pela diretoria da Associação.
Quanto aos resultados obtidos pelo programa de incentivo, as estatísticas oficiais demonstram que ele foi, em seus 08 anos de execução, francamente exitoso e positivo para os cofres públicos do Rio de Janeiro. Entre 2008 (data da implantação do projeto) e 2015, o crescimento bruto da arrecadação de ICMS do setor foi 183,84% contra um IPCA acumulado de 64,48%, ou seja, em termos reais, a arrecadação do setor cresceu impressionantes 72,57%!
Em termos de benefícios indiretos, o número de empresas estabelecidas cresceu 39% (saindo de 2.361 para 3.299 estabelecimentos entre 2008 e 2014) e o nível de emprego 32% (saindo de 12.187 para 16.198 em 2014).
Diversos programas de desenvolvimento tecnológico e de capacitação de mão de obra, além de um exitoso projeto de arranjo produtivo local que atendeu milhares de pessoas e empresas, foram implantados com instituições e universidades de renome dentre outros benefícios para a sociedade.
Estes esclarecimentos são importantes para separarmos o joio do trigo. Todas as metas impostas pelo governo para justificar a criação e manutenção do benefício estão sendo cumpridas pelo setor.
O momento político no Rio de Janeiro é complexo. Nesse ambiente, a razão pode ser ofuscada pelo discurso fácil e preconceituoso. A joia, muitas vezes, encarada como um produto supérfluo e voltado às camadas mais ricas da população é uma presa fácil nessas circunstâncias. Isso também é uma falácia, pois se adornar é uma necessidade atávica do ser humano e o setor está presente com estabelecimentos em 140 dos 160 bairros da cidade do Rio de Janeiro. O que importa em economia é a geração de empregos, renda, divisas tributárias e cambiais. Nesse aspecto o setor tem dado sua contribuição.
Carla Pinheiro,
Presidente da AJORIO








