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Seminário marca o início de um novo ciclo para a joalheria no Brasil

Bonequinha de Luxo ou Diamantes de Sangue? Qual destes dois clássicos de Hollywood está mais próximo da imagem da joalheria atual? Quem respondeu foi o presidente da World Jewllery Confederation (CIBJO), Gaetano Cavalieri, que participou, nesta terça-feira (22/10), do VI Seminário Atualização Tecnológica e o Setor de Joias e Bijuterias, promovido pela Ajorio com apoio da Firjan, IBGM e Sebrae, na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. "Bonequinha de Luxo, sem dúvida. Nós fomos da equipe de consultoria do filme Diamantes de Sangue e tudo aquilo era real. Mas fomos capazes de resolver aquela situação com a certificação internacional de diamantes (Processo de Kimberley) que terminou com boa parte dos conflitos financiados pela mineração de pedras preciosas", contou. “Claro que ainda existe um lado obscuro que vai se aproveitar dos mais fracos. Mas é preciso acreditar no que você faz. No princípio da humanidade e do respeito, que são elementos necessários para fazer parte desta família de 100 milhões de pessoas que estão na indústria de joias no mundo”, afirmou.

 

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Com um público recorde de 280 inscritos, cerca de 100% a mais que na edição do ano passado, o Seminário elegeu como tema a sustentabilidade, assunto abordado por Gaetano em sua palestra e explorado na entrevista que a presidente da Ajorio, Carla Pinheiro, realizou com perguntas enviadas previamente pelos participantes. "Nossa indústria representa um produto que pode não ser essencial, mas que oferece algo que vai além, a emoção, a arte, e a capacidade de produção que está em cada peça. Para ser sustentável, antes de tudo, precisamos ser transparentes. E isso vai desde a fonte, na mineração, até o varejista. A transparência tem de estar em toda a cadeia produtiva", afirmou Gaetano. “O mercado está mudando e a situação geral é vertical. O fornecedor e os clientes requisitam garantias de que o trabalho é ético, responsável e ambientalmente sustentável”, completou.

Para Gaetano, honestidade e reputação são valores associados fundamentalmente à transparência. “Gemas sintéticas ou tratadas não são imorais, desde que o consumidor saiba exatamente o que está comprando. Elas também têm seu espaço no mercado. Para podermos ser totalmente claros temos que saber descrever o produto em uma linguagem que todos possam entender. Por isso a CIBJO tem o Blue Book, com nomenclaturas padronizadas sobre gemas, metais preciosos, pérolas, corais e laboratórios gemológicos”.

 

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Questionado sobre como uma empresa deve proceder para se adequar aos parâmetros de sustentabilidade, Gaetano chamou atenção para a fornecimento responsável (Responsible Source), que deve estar presente em todos os elos da cadeia. “Significa conhecer a contrapartida, em todos os pontos intermediários. Qual é o tipo de mineração, de refinaria, a questão do ouro, da prata, pérolas e corais, enfim, qualquer processo nesta cadeia de distribuição. Fazer este percurso torna-se fácil ao final”, explicou.

Sobre a relação das novas gerações com a joalheria, o presidente da CIBJO acredita que as joias falam com qualquer idade. “O que me pergunto é quais exemplos podemos aprender com eles? A joia tem algo que difere neste mundo mediado essencialmente por tecnologias, ela existe desde os tempos de Adão e Eva e não vai deixar de encantar o imaginário coletivo”, pontuou.

Gaetano apresentou a entidade que representa milhares de empresas de joias pelo mundo e relatou como a instituição conquistou status consultivo especial no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. "No auge da crise dos diamantes de sangue, em 2001, eu estava em Nova York e fomos duramente criticadas por ativistas dos direitos humanos. O que eles não sabiam é que, um ano antes, nós já estávamos no Fórum de Kimberley, o que mudou a realidade de muitas nações em guerra. Este fato me fez entender que precisávamos nos posicionar. Quatro anos depois, éramos a única organização do setor joalheiro na ONU, e desenvolvemos ações pelo mundo inteiro que promoveram melhorias econômicas e sociais, como a Fundação Educacional de Joalheria Mundial. Se pensarmos no trabalho que está por trás de cada peça, desde o minerador que está no subsolo buscando o metal, vemos que cada joia é um milagre. Não importa qual palavra de marketing se usa. O valor moral daquilo que vendemos é o importante”, disse.

O presidente da CIBJO também destacou o papel da indústria de pedras preciosas no desenvolvimento social de vários países, mostrando como exemplo Botsuana, na África, que em 1966 era um dos países mais pobres do mundo. Um ano depois, com a descoberta dos depósitos de diamantes, a realidade mudou completamente, tornando-se uma das economias mais estáveis do continente.

Em sua avaliação, o Brasil tem todas as condições para se firmar como um modelo de sustentabilidade para o mundo. "O País é privilegiado em recursos naturais, suas gemas e joias são reconhecidas internacionalmente. Ainda há uma grande parte da mineração que é feita de forma ilegal, o que precisa ser corrigido. Eu vejo o Brasil e me pergunto onde está o orgulho de vocês. Se atuarmos como equipe, vamos entrar em campo para ganhar", afirmou.

Abertura

O presidente em exercício da Firjan, Carlos Mariano Bittencourt, abriu o seminário, afirmando que a sustentabilidade está alinhada com os valores que a Firjan defende. “É algo que temos a obrigação de seguir”, disse. Para a presidente do IBGM, Roseli Duque, o evento representa uma oportunidade para representantes do setor em todo o Brasil de discutir temas relevantes do seu dia a dia. “Como primeira presidente mulher do IBGM, vejo grandes desafios pela frente, como também muitas oportunidades para que sejam vencidos”, disse.

Carla Pinheiro presidente do sistema Ajorio e Eduardo Eugênio Vieira presidente da Firjan1

Para a presidente da Ajorio, Carla Pinheiro, o momento para discutir a sustentabilidade do setor no Brasil é o mais adequado possível. “Temos que debater cara a cara este problema, tão atual e tão conflitante, sem medo. É isto ou a morte. Precisamos ser responsáveis com as próximas gerações”, decretou.

Carla destacou que, da mesma forma que existem práticas ilegais de mineração no Brasil, também já estão disponíveis tecnologias capazes de rastrear o ouro, dando ao consumidor a certeza de que o produto é sustentável. “O consumidor está olhando mais à frente. O discurso sem a prática gera perda de credibilidade. Portanto, se não conseguirmos acabar com o ilegal, temos que buscar a regulamentação, inibindo crimes contra o meio ambiente e direitos humanos. É possível ter mineração sustentável em todo o Brasil, com qualificação de mão de obra, capacitando a população e gerando riquezas no local. Estar aqui, hoje, já mostra que queremos fazer o certo”, afirmou.

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Outro lado da moeda

Na parte da tarde, o Laboratório de Joias do Senai apresentou Vitctor Iglesias Ribeiro, representante do Brasil na WorldSkills, as Olimpíadas do Conhecimento, realizada em Kazan, nsia. Ao lado de seu treinador, Emerson Costa, Victor falou sobre sua experiência como Jovem Aprendiz até a participação no torneio, e agora, como instrutor da escola.

Em seguida, o diretor do IBGM Écio Morais, mediou o painel que contou com o presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), Mario Rodrigues, o diretor da Umicore, Paulo Petean, e o consultor Adriano Mol, que fez o lançamento da startup de joias Lesparc.

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Para Mario Rodrigues, a sustentabilidade está diretamente relacionada à rastreabilidade. “O processo precisa ser todo auditado por terceiros e consolidado. Há dois anos, começamos um trabalho junto ao governo para tornar o garimpo mais eficiente. A solução não é acabar com os garimpos, eles fazem parte da atividade mineradora e ela não vai acabar. Eles precisam, sim, ser ordenados como um negócio viável e sustentável”, afirmou.

Em sua palestra, Mario explicou como funciona a atividade mineradora no Brasil, em que 70% é realizada por empresas mineradoras e o restante por garimpos artesanais, com licenças ambientais concedidas pela Agência de Mineração Nacional (AMN). “Nossa missão é mostrar que o garimpo ordenado é possível, e ele existe com modelos bem-sucedidos no Mato Grosso e no Pará”, afirmou.

Com este objetivo, a entidade apresentou algumas propostas, como a de criar uma categoria de mineradores irregulares, mas que estariam no processo de formalização. O que existe hoje são apenas os legais ou ilegais. Outra sugestão é o desenvolvimento de um software, o Cadastro do Mineiro Garimpeiro, além de uma definição sobre prazos e quesitos sobre regulamentação, manuseio de mercúrio e recomposição da natureza, entre outros itens.

Mario apresentou ainda um estudo feito pela Associação em Tapajós, que mostrou que, de 48 mil registros requisitados, apenas cerca de 2 mil foram concedidos. Segundo os dados da Anoro, existem 190 mil toneladas de ouro lavrados em todas as reservas mundiais e 52 mil toneladas a serem exploradas, das quais uma parte considerável está na Amazônia.

Para Paulo Petean, um mercado que deve crescer consideravelmente no mundo é o chamado “garimpo urbano”, que consiste na extração de ouro a partir de resíduos eletroeletrônicos. De acordo com Paulo, de uma tonelada de resíduos é possível extrair 150 gramas de ouro, enquanto da mineração primária se tira de 5 a 10 gramas. A Umicore é uma multinacional belga com 200 anos de história e atuação em todo o Brasil, em que recicla 2 mil toneladas de resíduos de metais por ano. O ouro ainda é incipiente no País, mas, pela proporção, Paulo acredita que tem tudo para crescer. “A nossa unidade no Canadá já atingiu 100% da produção de ouro a partir de fontes recicláveis”, contou.

O painel contou ainda com o lançamento da Lesparc, marca de life-style que nasceu a partir de um manifesto e de uma proposta de inovação imaginados por André Silva, fundador da Empire Industries, empresa que atua na lapidação e no comércio de gemas brasileira, com ligação biográfica com a mineração de topázio imperial em Ouro Preto (MG). A primeira coleção de joias da Lesparc foi apresentada com exclusividade no seminário. “É possível fazer a diferença mesmo em um mercado tão segmentado quanto o de luxo. Ao utilizar as pedras com imperfeições, por exemplo, pode-se valorizar tempo, dinheiro e recursos naturais. É preciso educar os consumidores para que tenham abertura a essas propostas”, comentou Adriano.

Cartilha

A gerente de Integridade da Firjan, Luana Pagani, apresentou a Cartilha de Integridade desenvolvida com orientações específicas para o setor de joias. Clique aqui para acessar o material que representa um manual de boas práticas, uma espécie de passo a passo com orientações para que cada empresa crie seu próprio programa de integridade.

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Joias não viram lixo

O seminário terminou com o anúncio e premiação das três vencedoras do concurso Joia não vira Lixo, apresentado pela curadora Regina Machado. O objetivo do concurso era transformar uma joia antiga esquecida na gaveta em um novo acessório, resgatando o prazer de seu uso e preservando suas características originais. “A ideia é criar um movimento, nós sabemos que isso já é feito, mas precisamos comunicar, mostrar como a joia tem este poder de ressignificação e sua permanência como um objeto que não é descartado, o que tem tudo a ver com a sustentabilidade”, explicou Regina.

A designer Verônica Santiago foi a grande vencedora, com um colar em que aproveitou um broche e um alfinete de gravata dos ex-sogros que estavam completamente esquecidos. “Recebi estas peças dois dias antes de saber do concurso. Foi muito gratificante ressignificar estas peças. Pensei em algo para usar no dia a dia, uma coisa simples em que menos é mais”, contou.

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O segundo lugar ficou com a designer e professora Rita Santos, que transformou um broche que era de sua avó em um colar. “Foi a herança que ela me deixou e por isso tenho muito carinho por esta peça” disse.

A terceira colocada, Lúcia Abdenur, usou a criatividade para fazer um colar com um brinco que também havia ganhado da avó, costurando a peça em prata e com a base de cortiça. “A tarraxa serviu como base do pingente”, explicou.

O concurso teve vinte participantes inscritos e a comissão julgadora selecionou cinco finalistas. As três campeãs foram eleitas pelo júri popular por meio das redes da Ajorio e receberão 1 kg de prata para o primeiro colocado, meio quilo para o segundo e 250 gramas para o terceiro.

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