Papo Joia: Tati Accioli busca marcas que querem fazer história para o seu Coletivo Carandaí 25

No Dia Internacional da Mulher, o Blog Joia estreia sua coluna de entrevistas, a Papo Joia, com uma convidada que é inspiração para as mulheres que sonham em empreender no universo da moda: Tatiana Accioli. 

Idealizadora do Coletivo Carandaí 25, movimento responsável por lançar novas marcas no cenário da moda e do design, Tati começou o negócio reunindo marcas em sua casa, na rua que dá nome ao evento, em 2013. A ideia era investir em um novo modelo de negócios focado em pequenos produtores que acreditam na força da coletividade e na graça de fazer junto. 

Em seis anos, o movimento cresceu em número de expositores passando a ocupar os lugares mais charmosos da cidade. Em 2017 chegou a São Paulo, em uma parceria com a Feira na Rosenbaum. Em maio de 2018, foi a vez de uma primeira experiência em Paris, com um espaçoso ponto de venda montado por um mês. Em março, o Coletivo chega pela primeira vez ao Recife, e comemora, em abril, sua 23º edição, com festa no Jockey.

Nesta entrevista, a empresária contou que, hoje, as joias e bijuterias ocupam um espaço significativo entre as marcas que participam do Coletivo e apontou o que deve se destacar nas próximas edições. Para Tati, que confessou estar em uma fase "totalmente acessório", uma bijuteria com design bacana vale tanto quanto uma joia. Tati gosta de combiná-las em suas produções, e acredita que este mix de joias e bijuterias é a nova tendência, principalmente na moda carioca. Acompanhe este delicioso bate-papo.

Você criou o Coletivo Carandaí 25, com objetivo de fomentar a economia criativa e colaborativa local, com empreendedores e marcas independentes. Como a joia acompanha este movimento?

Tanto joias quanto bijuterias fazem parte de um mesmo segmento, o de acessórios, que, hoje, representa 50% do meu projeto.  O acessório, atualmente, é bem expressivo, tão forte quanto a roupa. Neste segmento também incluo bolsas e sapatos, mas este é um outro nicho, o menor de todos, por incrível que pareça. No Shopping Leblon, por exemplo, as joias e bijuterias ficam em primeiro lugar todos os meses. 

De fato, os acessórios têm uma entrada muito boa, tanto para o meu cliente interno, que são as marcas, quanto para o cliente final, o varejo. E eu acredito que isso aconteça porque os acessórios estão cada vez mais complementando a roupa. Ao vestir-se, as pessoas expressam uma atitude, buscando uma representação. Têm mulheres que são mais minimalistas, outras mais agressivas. 

Em São Paulo, é latente, você repara que as mulheres usam acessórios gigantes, enormes. Por isso, as marcas que eu levo para lá são totalmente diferentes das que eu tenho no Rio, e, agora, das que eu estou levando para Recife. Acredito que a joia é muito representativa na moda, sim.

Fala-se muito no papel da joia para as novas gerações, mais antenadas em gadgets e experiências. Como você acha que a joia pode se reinventar para conquistar novos consumidores?

Eu acho que o caminho é se recriar. Pegando um exemplo de joia, eu vejo a Amsterdam Sauer, como ela está se recriando, totalmente moderna, totalmente atual. O problema, às vezes, é manter aquela tradição do mesmo design. Hoje, todo mundo está tendo que se reinventar, em todos os cantos do planeta. Acredito que a joia deva acompanhar estas mudanças de comportamento, se atualizar para conseguir se manter, fugir um pouco do tradicional. Pode ser uma saída. 

Que tendências de joias e bijuterias você observa para a próximas edições do Carandaí 25?

Tem alguns estilistas que me chamam bem a atenção, principalmente quando uso alguma peça e sou abordada na rua, como aconteceu com um bracelete da Anna K que eu usei em uma reunião outro dia. Não era uma peça tão grande, era mediana, mas era uma peça com design. A Paola Vilas eu também gosto, embora tenha um estilo mais minimalista. Acho que  peça grande é tendência, permite você se arrumar rápido para o trabalho, colocar um acessório de impacto e já estar pronta. 

O latão está em alta, percebo o material voltando com uma pressão forte. A resina também está voltando muito, e a Anna K faz um trabalho de resina muito bem feito. A Adriana Valente, com a madeira, também se destaca. Também vejo muita coisa com as pedras brutas, muito cristal, até porque estamos em um momento em que todo mundo está procurando se espiritualizar. Tenho visto joias muito bonitas com cristal. Acho que vem uma onda de pedraria, com lapidações diferentes, muito forte também. 

Na sua curadoria, o que mais te chama atenção nos acessórios?

Design. Eu acho que cada vez mais a joia está voltada para o design. Não é mais só fazer joia. Tem que ter uma história dentro daquela joia, para a empresa se diferenciar no mercado. Eu percebo que é este tipo de marca que se destaca dentro do meu coletivo, até para eu propagar para outros lugares, porque eu quero ser propulsora, fazer as grifes nascerem para, dali, andarem com as próprias pernas. E eu percebo que as marcas convidadas são aquelas que apostam em design, em inovação, no que é diferente.  

Agora, esta coisa da curadoria é muito delicada de ser falada, porque nem sempre o que eu seleciono corresponde exatamente ao meu gosto pessoal. Muitas vezes,  aceitei coisas porque eu tinha que ter uma visão do que o mercado estava querendo, não a Tatiana, e a coisa realmente acontecia.  

Hoje, como muita marca me procura, eu pego o pequeno, mas não tão pequeno assim, não pego aquela marca zerada, mas um pouco mais madura. Vejo o que me chama atenção. Às vezes, ela tem um produto bom, mas a apresentação não está legal, então, eu faço uma reunião, é difícil, mas a empresária topa fazer as mudanças e a marca acontece. Aí, ela percebe que tem de ter este cuidado, apresentar uma unidade, ter design, e contar uma história, mostrar quem ela é. Não é só fazer brinco e sair colocando nas vitrines.  Estou procurando pessoas que querem fazer história, não apenas colocar bijuteria em uma barraquinha e ficar ali.

Joia ou bijuteria?

Eu sou uma mistura. Gosto muito de uma bijuteria bem feita, mas também adoro uma boa joia. Gosto de joias pequenas, simples, mais finas, minimalistas. Já bijuteria eu gosto de coisas mais pesadas. 

Sou um mix de tudo, e acho que é a nova tendência. Hoje, você vê uma mulher, e não sabe mais o que é joia e o que é bijuteria, de tão bem misturado. Eu gosto de analisar, vejo o que é joia, o que é bijoux, e outras que estão mixadas. 

Para mim, desde a joia até a bijuteria de resina tem o seu valor, se for um acessório bem feito. Se a bijuteria for bem desenhada, para mim é igual, porque está complementando o visual.

Como o acessório influencia na roupa? 

Eu, hoje, estou muito acessório, estou danada! (risos) Cá entre nós, estou com mais desejo de fazer curadoria de acessório do que de roupa. Tanto que estamos fazendo agora a campanha dos seis anos do Coletivo, que está super legal, e eu estava com a diretora de arte escolhendo as marcas, e tinha tanto acessório que eu tive que me controlar. (risos)

Eu estou nesta fase, de escolher uma roupa clássica, combinar com um acessório, um chapéu, e pronto. Para mim, o acessório se expressa hoje tanto quanto a roupa, através desta galera que faz uma boa joia, um bom acessório, uma boa bijuteria.

E a sua relação afetiva com as joias? Tem alguma joia especial que marcou a sua vida? 

Eu tenho uma relação extremamente afetiva com as joias, tenho um anel da minha bisavó que adoro.  Minha filha fez sete anos há pouco tempo e dei de presente para ela uma aliança de dedinho toda cravejada de rubi que foi da minha tataravó, e eu só estava esperando ela crescer para poder passar para ela, já com alguma consciência.  

Eu não tenho muitas joias, mas como sou a única neta da família, acabou que tudo veio parar na minha mão. Eu tenho uma figa que sempre uso e foi da minha tataravó também. Eu acho joia antiga muito bacana, ela conta uma história da vida. 

Vê alguma característica especial nas joias e bijuterias cariocas? 

Tudo que se refere à moda carioca é mais divertido, né? É mais solto, tem um olhar um pouco mais aberto. Eu vejo total diferença quando eu faço evento em São Paulo. Não trabalho com marcas de lá, só com marcas do Rio. Quando eu vou fazer evento em outro estado, eu faço uma pesquisa de mercado. Em Paris, por exemplo, o acessório é pequeno, delicado, elas só usam coisas miúdas. São Paulo tem uma regra, se a moda é fazer cristal, então todo mundo faz cristal, argola, e por aí vai. 

Já a nossa moda é muito mais aberta, tem uma diversidade. Cada um banca a sua personalidade e, ao mesmo tempo, estamos representando a moda carioca. Eu acho que o Rio tem uma identidade, tanto para acessório, quanto para roupa. O design carioca tem a história dele, sim. Em Paris, por exemplo, a moda praia é muito forte. A verdade é que a moda carioca faz barulho no mundo inteiro.

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