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As joias expressam a religiosidade

O terceiro dos oito encontros previstos no curso ‘O diálogo das joias com a arte’, trouxe à luz o repertório simbólico da religião mais popular do universo da cultura ocidental, ou seja, a joalheria cristã.

A professora Regina Machado iniciou a aula online ‘As joias expressam a religiosidade’ (clique aqui para assistir) citando um pensamento do pesquisador da cultura Renato Barilli que diz que os estilos são sensíveis ao suceder de tomadas de consciência e realizam ‘fugas para frente’. Segundo a consultora, “com o passar do tempo, diferentes problemas começam a surgir, trazendo consigo outras possibilidades estéticas e novas soluções passam a ser experimentadas. Barilli comenta que ‘daquilo que surge aqui e agora, já diferente daquilo que se manifesta ali e então’. Mas para além do desejo de fixação da novidade pelos estilos, a continuidade dos saberes antigos pulsa por entre as suas mudanças”.

A linguagem das joias expressa o estudo, quase secreto, do sentido simbólico do sagrado, da beleza e dos valores da perfeição da natureza. Sob esta visão, Regina fala dos alquimistas.


Os alquimistas estão voltando

A alquimia é um ofício que foi inicialmente praticado pelos filósofos antigos, continuou sendo estudada pelos monges, e experimentada pelos mestres do ofício da ourivesaria medieval.

O que significa ‘alquimia’?

O vocábulo Khemi (negro) é considerado, por vezes, uma alusão ao Egito, a cor das margens do Nilo. Segundo algumas pesquisas, Alquimia significaria, “ciência ou arte egípcia”. Mas existem outras pesquisam que identificam Alquimia com as expressões gregas chuma (lingote) e chumeia (arte de fundir metais). E ainda que acreditam que o termo 'Alquimia' significa perfeição.

Todas as hipóteses são plausíveis, mas existe uma forte tendência, entre os pesquisadores (O que é Alquimia, Jorge Machado), de associar o desenvolvimento desse saber sobre a natureza com as leis herméticas, criadas pelos sábios do Antigo Egito.

Encontramos também exemplos de práticas alquímicas em outras culturas. Segundo pesquisa sobre o simbolismo mágico religioso realizada por Mircea Eliade, já no século V, o alquimista Ko Hung escreveu: “Se na abertura de um antigo túmulo o corpo parecer estar vivo, saibam que há dentro e fora dele uma grande quantidade de ouro e jade.”

imagem1Imagem da mortalha da princesa Douan, ano 220, realizada com 2156 placas de jade e costurada com 700 gramas de fios de ouro.


Um sentido sobre a alquimia todas a pesquisas concordam: Os alquimistas buscavam a perfeição tanto dos materiais como dos seres humanos.

Durante milênios esse saber teria ficado reservado, ou escondido, e reaparece no período da Idade Média.

As joias expressam a religiosidade

A importância do surgimento de Cristo é evidente, a linha do tempo de nossa história se separa entre antes e depois dele.

Inicialmente o Império Romano persegue e martiriza os cristãos, mas o cristianismo acaba se tornando uma religião aceita.

A Era Bizantina se inicia quando Constantino transfere a capital do Império Romano para a cidade grega de Bizâncio.

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A imagem simula como teria sido Constantinopla, capital da cultura bizantina, no século VI dC e demonstra o desenvolvimento que havia chegado essa civilização.

A joalheria bizantina expressa um estilo que reúne duas forças comunicacionais: o poder da riqueza dos materiais, conquistados pelo império, com a aura simbólica de um universo sagrado que se inaugura.

As joias do período bizantino se inspiram na imponência arquitetônica e expressam toda a pompa de uma religião seguida pelos poderosos.

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O olhar de observação e a capacidade de reprodução da natureza humana, referência da tradição da investigação da arte grega, é substituído pela construção de um esquema hierárquico da representação religiosa.

Corpos alongados e os olhos amendoados, sem que uma estrutura espacial possa conter as suas tridimensionalidades, são representados soltos no espaço.

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A Era dos impérios atraiu os mais destacados talentos de suas épocas. A exuberância da joalheria bizantina é um exemplo do encontro entre o poder e a maestria dos ourives.

As articulações invisíveis, encaixadas nas formas decorativas, revelam a beleza do estilo, resultado do desenvolvimento de uma excelência técnica e de uma estética sofisticada.

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A Idade Média inaugurou temas para a joalheria. O cristianismo criou uma linguagem para os objetos sagrados de uso pessoal.

As joias do período expressam o repertório inicial do cristianismo. 

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As cenas da crucificação, e seus instrumentos, buscam expressar o sofrimento santificado dos mártires. 

 

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Em paralelo, a crença do poder mágico das gemas continuou a produzir amuletos e talismãs.

Segundo a pesquisa do historiador Guido Gregorietti, em 1263 o estatuto do hospital de Troyes, na França, declara ser permitido o uso de anéis com pedras preciosas para os doentes. Comprovando, mesmo no território do pensamento científico, a continuidade da crença no poder de cura e na proteção das gemas.

O pingente Charlemagne é um dos mais famosos exemplares da história da joalheria. A peça, datada em torno do século IX, é composta por duas grandes safiras lapidadas na forma de cabochões ovais, montadas uma sobre a outra, tendo entre elas uma pequena cruz feita, acredita-se, com a madeira da cruz sagrada original do sacrifício de Cristo.

 

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O Gótico

Com o passar dos séculos, mudanças ocorrem na estrutura feudal e o crescimento das cidades, dos pontos de trocas de mercadorias e culturas provenientes do mercantilismo, contribui com a construção de um novo pensamento.

Neste ambiente os artistas renovam os seus olhares para a observação da natureza. O estilo gótico é o resultado da troca de talentos e visões de mundo.

Em meados do séc. XIV a estética do gótico é difundida para diferentes países da Europa, até tornar-se completamente homogênea como estilo. Tendo se iniciado na França, o gótico é considerado o primeiro estilo a transpor fronteiras.

A arquitetura pesada e horizontal do início da Era Medieval é renovada. As catedrais se verticalizam na busca pela experiência espiritual em direção aos céus. O desenvolvimento das técnicas estruturais permite que as pesadas paredes das igrejas românicas sejam vazadas por rosáceas de luzes coloridas, os vitrais contam histórias e passam os conteúdos morais do cristianismo.

 

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Catedral de Burgos, 1222. / Coroa  Matrimonial

 

A joalheria materializa essa mudança. Na joalheria gótica a verticalidade, inspirada no pé-direito monumental das catedrais, caracteriza o estilo.

A coroa matrimonial, de 1380, exemplifica a beleza gótica na joalheria.

A temática religiosa passa a ser intermediada pela suavidade, os martírios são substituídos pelas mensagens da anunciação. Retiradas as suas expressões de dor, as imagens dos santos são pacificadas pela luz de uma espiritualidade decorativa.

 

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Os anéis dos bispos, e mesmo referentes aos santos, fazem parte do grande repertório da joalheria do período.

 

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As Guildas

Na Idade Média, nas cidades prósperas, o mestre artesão unia em torno de si uma sociedade para promover bem estar social e ajuda mútua. Os ourives viviam numa mesma rua, normalmente no centro da cidade. Em Paris, 1292, são registrados 116 ourives.

As chamadas Guildas trabalhavam segundo normas próprias e comuns. Eram 15 horas de trabalho diário, sem trabalho aos domingos e nos feriados religiosos.

 

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A peste negra

O final da Idade Média foi um período de devastação. Uma peste catastrófica, a Peste Negra, devastou a Europa.

A renovação dos estilos sofre uma grande paralisação com o surgimento da pandemia, conhecida como ‘peste negra’.

Durante os anos de 1342 e 1353 a doença percorreu continentes e dizimou a metade da população de algumas cidades, inclusive de alguns importantes centros do pensamento que se iniciava.

O medo da morte e a insegurança por conta do alto nível de contágio da doença atuam diretamente no pensamento da época. A arte expressa esse momento se tornando mais conservadora.

As questões morais sobre os pecados humanos passam a ser temas de interesse da época. Como demonstram as pinturas.

Os temas enfatizavam a culpa, o castigo e a futilidade dos pecados humanos.

imagem22O Jardim das Delícias - Bosch, 1460-1516

 

A pintura Danse Macabre ilustra o poder da morte. Na imagem os reis como os camponeses, jovens como as pessoas de idade, reconhecem a sua igualdade diante da mortalidade.

 

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A joalheria objetiva o medo, materializando a lembrança permanente da mortalidade humana e populariza o tema da morte como lembrança diária da didática do período pós peste.

A realidade da incerteza da vida mostrou-se em muitas formas da arte durante séculos. Na era vitoriana os anéis de ‘Memento Mori’ - expressão latina que significa algo como ‘lembre-se de que você é mortal’ - viraram moda e foram usados por todos, desde a rainha Victoria até os mais pobres.

 

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O nascimento do século XXI e a alquimia humana

Renato Barilli destaca os momentos em que o homem acumula realizações suficientes para dar grandes passos na sua trajetória cultural. A essas passagens, que ele classifica como fugas para frente, é que o homem pensa nas possibilidades futuras, imagina cenários diferentes daqueles que atuam no aqui e agora.

A nossa ideia de futuro, de fugas para frente, não despreza os conhecimentos, as experiências e saberes acumulados pelo nosso passado.

Esperamos que com este tempo disponível para reflexão, e com finalmente a chegada do século XXI, possamos realizar o grande projeto dos alquimistas, transformar o chumbo dos nossos equívocos no brilho aurático do ouro de nossa evolução.

PS: O texto utiliza a pesquisa realizada na dissertação de mestrado da professora Regina Machado “As narrativas das joias e o processo de sua comunicação”. ECO/ UFRJ.

Próxima aula

Com o tema 'As joias expressam os gabinetes das curiosidades', a aula marcada para o dia 07/05, às 17h, pelo canal da Ajorio no Youtube (clique aqui para acessar),  abordará a passagem  do final do período medieval, saindo do Gótico, com destaque para o início do sistema da moda. Vamos entrar no Humanismo que caracteriza o Renascimento examinando os gabinetes das curiosidades. O Barroco também será analisado a partir das suas joias religiosas com um traço de exuberância teatral.


Calendário

Fique atento às próximas datas e assuntos:

07 de maio - As joias expressam os gabinetes das curiosidades
14 de maio - As joias experimentam a sedução
21 de maio - As joias experimentam a nova arte
28 de maio - As joias comunicam a modernidade
04 de junho - As joias são a contemporaneidade

 

Reveja as últimas aulas

Aula 1 - As joias falam com os deuses (https://www.youtube.com/watch?v=AUnGhp8JY_g)
Aula 2 - As joias falam com o poder (https://www.youtube.com/watch?v=UcdsuMW04mw)
Aula 3 - As joias expressam a religiosidade (https://www.youtube.com/watch?v=WzEeNaiZfvY&t=330s)


Sobre a professora

reginamachadoÉ arquiteta, especialista em história da arte, mestre em comunicação dos sistemas simbólicos e doutora em comunicação e cultura. Atua como pesquisadora, professora, consultora e curadora, de design de produtos e comunicação.

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