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No caminho da esmeralda

Um dos maiores polos comerciais de esmeraldas do Brasil, Campo Formoso, município no norte da Bahia, está a cerca de 2 mil quilômetros do Rio de Janeiro, de onde um grupo de joalheiros e designers de joias partiu para encontrar, no subsolo de suas terras áridas, o verdadeiro valor da pedra preciosa. A viagem, que começou de avião entre Rio e Petrolina, com escala em Salvador, e mais três horas de ônibus até Campo Formoso, chegou ao seu destino quando a caravana formada por 21 pessoas, em missão promovida pela Ajorio e Firjan, mergulhou a uma profundidade de 230 metros na mina de São Francisco, no garimpo da Carnaíba, localizado no município vizinho de Pindobaçu. 

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Acompanhados de um garimpeiro experiente, cada membro da caravana desceu até o fundo da mina, um percurso que leva cerca de um minuto até o primeiro nível, 120 metros abaixo do solo, onde é necessário o uso de capa e galochas para se proteger da água que jorra da terra. Dali, segue-se para o segundo poço, completando os 110 metros restantes até a entrada da mina, um labirinto de túneis e galerias por onde brotam as informações que levam aos veios de esmeralda. IMG 20180517 WA0158

Guiados pelo gerente da mina, empresários acostumados a negociar pedras em confortáveis escritórios refrigerados seguiram o caminho das esmeraldas. Analisando os tipos de rocha, os garimpeiros decidem para onde devem seguir, e assim vão abrindo galerias, detonando e escavando a terra até encontrar a pedra que garante o sustento de 1,6 mil trabalhadores da Serra da Carnaíba e vai se transformar nas joias que estarão nas vitrines das grandes capitais do Brasil e do mundo. 

“Foi um momento incrível na minha vida, em que pude ver a extração da esmeralda in loco. Agora é a hora de desenvolver meu trabalho para ilustrar e privilegiar estes garimpeiros, que nos dão a oportunidade de carregar em nossos corpos, perto de nós, e decorar as nossas casas, com estas maravilhas da mãe Terra. Vou lapidar, transformar, iluminar estas pedras, para entregá-las de maneira magnífica. É isso que viemos fazer aqui, integrar estes dois mundos. A mãe Terra vai dar o caminho para que privilegiem todo o nosso trabalho e o trabalho destes homens”, disse a fabricante de joias Márcia Mór. IMG 1649 Copia

Para a designer Yara Figueiredo, que fazia aniversário no dia da visita, a experiência foi emocionante. “Fiz 51 anos dentro de uma mina de esmeraldas. Não tenho nem palavras para dizer a emoção que foi. Eu sempre tive um respeito muito grande pelas pedras e, hoje, passa a ser realmente maior. Cada pedra que eu pegar na minha mão vai ter um significado bem mais forte. Foi inesquecível”, disse. 

“Depois de descer a mina a gente percebe a dificuldade que existe neste ramo de trabalho, para se conseguir um volume de esmeralda. O mercado não tem ideia da dificuldade que existe. O investimento é muito alto, os proprietários trabalham de quatro a cinco anos para ter algum retorno. É um trabalho em que precisa se acreditar e investir muito dinheiro”, analisou o designer Eduardo Vaks, da Lafry.

Esta foi a quinta missão empresarial promovida pela Ajorio e pela Firjan com o objetivo de aproximar fabricantes, designers e revendedores de joias do Rio de Janeiro dos fornecedores, levando-os aos principais polos produtores de pedras preciosas do país. A caravana já passou pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Piauí. Em Campo Formoso, mais do que bons negócios, a missão gerou frutos que vão se transformar em projetos de desenvolvimento social para a população local. 

Missão

IMG 20180517 WA0135Segundo a presidente da Ajorio, Carla Pinheiro, a importância da missão está na aproximação com este elo da cadeia, que abrange desde a extração da pedra bruta até a lapidação. “O Brasil sempre foi um importante lapidador na cadeia inteira, e isso foi se perdendo. Viemos a Campo Formoso para conhecer de perto não só a realidade, mas também as necessidades, saber quais são as nossas batalhas, porque temos muita coisa para melhorar. A Ajorio tem isso como DNA, juntar a cadeia inteira, o setor inteiro em um único objetivo, o de mostrar o que esta riqueza tem, o que o Brasil tem para dizer das nossas joias, dos nossos designers, das nossas pedras, e mostrarmos isso para o Brasil, para o consumidor e para o mundo inteiro. E dizer ao nosso poder público que queremos fazer isso da forma correta”, disse. 

Para Carla, as demandas da mineração de pedras preciosas devem estar na agenda de políticas públicas. “Se bem fomentada e bem apoiada, a atividade mineradora pode transformar até mesmo o PIB do País, como acontece em países como a Índia e Tailândia. As pedras preciosas podem e devem deixar renda, emprego e riqueza no nosso país. E hoje não é o que acontece. O que vemos são iniciativas individualizadas, feitas por pessoas que acreditam, que lutam no dia a dia, mas que não contam com apoio que deveriam ter das instituições, das agências e do poder público”, concluiu. 

Nascido em Campo Formoso, o empresário José Nilson Rodrigues intermediou a vinda da caravana para o município. Neto de garimpeiros que deram início à mina da Carnaíba, em 1963, ele defende que a atividade continue nas mãos dos mineradores, mas alega que faltam investimentos. Hoje, a Cooperativa Mineradora da Bahia (CMB) conta com cerca de 300 associados, mas tem apenas 28 minas, chamadas de serviço, em operação. “Precisamos da presença dos bancos de investimento também aqui em Campo Formoso para o garimpeiro ter condições de produzir mais. Na África, na Colômbia, o governo participa diretamente, por isso eles tem grandes produções. Aqui, nós temos a produção que a condição de cada um permite. O que precisamos é de investimento, porque capacidade nós temos”, afirmou. 

Parceria

A esmeralda é o termômetro da economia local. Segundo a prefeita de Campo Formoso, Rose Menezes, quando as minas estão produzindo, o movimento do comércio de toda a região fica mais aquecido. Grande parte da comercialização de esmeraldas é realizada na Feira do Rato, na Praça Herculano Menezes. As pedras são negociadas a céu aberto, onde se movimentam grandes cifras, mas não em dinheiro. O sistema financeiro funciona à base de vales e trocas de objetos. Na praça também estão os grandes escritórios de compradores estrangeiros. “A cadeia da esmeralda movimenta desde os pequenos, que estão ali na boca da mina, lavando o minério, lavando as pedras, até o mais alto empresário de Campo Formoso”, explicou. 

IMG 2018 CopiaPara ampliar o potencial social da esmeralda, a Prefeitura busca a formação de jovens como ourives, para desenvolver também a produção de joalheria. A iniciativa passou a contar com o apoio da Ajorio, que começou a desenvolver um projeto para levar pessoas da região para se qualificarem no Laboratório da Joia, escola inaugurada com a Firjan há um ano no Rio de Janeiro. A ideia é que estas pessoas possam retornar e compartilhar o conhecimento adquirido, para que o município, que atualmente possui uma pequena indústria, possa ser também fornecedor da joia acabada.

Segundo a diretora-executiva da Ajorio, Angela Andrade, a parceria entre Rio e Campo Formoso será benéfica para os dois lados. “O que eles têm nós queremos muito, e o que nós temos, que é criação, fabricação e mercado, a cidade está precisando muito também. 

Fizemos um debate e os designers se prontificaram em participar deste projeto. Daqui a cinco anos, o comércio de Campo Formoso vai estar mudado com a união destas duas pontas da cadeia produtiva”, explicou. 

Produção

O brilho intenso do verde esmeralda que reluz em brincos e anéis é apenas a ponta iceberg do potencial econômico da rocha de onde a esmeralda é extraída. O geólogo Osmar Santos, responsável pelos processos de legalização dos garimpos, costuma compará-la ao boi. “A rocha é como o boi. Tem o filé mignon, que é a parte mais nobre e cara da carne, mas também tem o bucho que deve ser aproveitado. Aqui, aproveitamos tudo da rocha, não só a esmeralda extra que vai para as grandes joalherias, mas tentamos extrair todo o potencial comercial da pedra”, diz. 

IMG 20180515 144215311Dos 2,5 mil a 3 mil quilos de esmeraldas produzidas por mês, menos de 5% correspondem às esmeraldas extras, pedras que podem chegar a até R$ 1 milhão o quilo. O faturamento mensal gira em torno de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões, e o principal consumidor é o indiano. Culturalmente, a Índia devota grande admiração pelas esmeraldas, por isso têm interesse em todas as qualidades da pedra. No mercado nacional, ao contrário do indiano, os custos de lapidação desta qualidade de esmeralda são muito altos, o que inviabiliza sua comercialização. 

Segundo Osmar, a atividade está em plena expansão e não se explorou nem 7% de tudo o que existe. “Há pesquisas feitas por meio de furos de sondagens, que provam que existe esmeralda até 500 metros. Pode haver até mais além do que isso”, diz. 

Como nem só de filet mignon as pessoas vivem, Osmar desenvolveu, nos anos 90, projetos de artesanato feitos com a rocha de onde as esmeraldas são retiradas, chamadas de malacacheta. Deste projeto, nasceram escultores reconhecidos como grandes artistas na cidade, que produzem peças monumentais de animais, bustos e santos que chegam a pesar 300 quilos. A caravana da Ajorio visitou alguns destes galpões onde as esculturas são produzidas. 

“Minha luta sempre foi a luta pela legalização. Foi uma vitória ver os garimpos de esmeralda legalizados, e continuei nesta busca também pelo apoio à atividade do garimpeiro e estendendo para a produção não só da pedra, mas também a transformação através da lapidação, e posteriormente do artesanato, que se transformou em arte em rochas”, explicou. 

A cadeia de produção da esmeralda possui vários atores. O garimpeiro é o funcionário que trabalha na mina, que desce ao subsolo para buscar a pedra. Ele recebe uma feira que varia de R$ 150 a R$ 200 reais por semana e uma porcentagem sobre as pedras que consegue extrair. Além dele, há o investidor e o dono da terra, que também recebe uma porcentagem pela extração. No entanto, cerca de 50% das pedras retiradas são rejeitadas e colocadas no “bota fora”. Estas são aproveitadas por uma população de 1,5 mil pessoas, anciãos, mulheres e homens sem trabalho, chamados de quijilas, que vão quebrar as pedras na esperança de encontrar alguma esmeralda para vender. 

Negócios

Mesmo para a joalheria, não é só a esmeralda extra que interessa. Para os designers, tudo pode virar arte. Denise Queiroz, por exemplo, se encantou pela pedra bruta. Apaixonada pelo verde vivo da esmeralda, fez bons negócios em Campo Formoso. “Eu gosto da pedra bruta, porque é como ela veio da natureza. Vi pedras lindas aqui, com um verde bem vivo. Me encantei com uma que já imaginei na criação de um anel” contou. 

O comércio de pedras acontece o tempo todo na cidade. São os garimpeiros do asfalto, que vão às minas buscar as pedras e vendê-las na Feira do Rato. Durante os quatro dias de missão, os empresários puderam fazer contatos, conhecer novos fornecedores e comprar pedras de todas as qualidades. 

Para Jocelyn Motta, proprietário da Ben Bros Joalheiros, mais importante do que boas compras, foram os relacionamentos. “Tivemos a oportunidade de conhecer fornecedores, abrir portas para novas oportunidades de negócios, e talvez desenvolver coleções a partir das fontes que foram apuradas nesta viagem”, disse. 

Além de bons negócios, Vinícius Braga, designer da Box Sixty Nine, conseguiu uma dose extra de inspiração. “Tivemos acesso a muitos elementos plásticos, além dos minerais, e todas as experiências visitando minas. O cerrado oferece muita inspiração para trabalhar, desde fibras de cactos até a esmeralda mais linda que se possa imaginar”, relatou. IMG 1346 Copia

Lara Mader também pensa em transformar a viagem em novas criações, que deverão ser realizadas em conjunto pelas três designers da Joyá – ela, Denise Queiroz e Camila Herzfeldt. Se depender do trio, um pedaço de Campo Formoso estará na vitrine do Fórum de Ipanema em breve. “Fizemos bons negócios e boas amizades. Vamos lançar uma coleção, estamos pensando em fazer isso em conjunto lá na loja, o que já é um grande passo. Nossa ideia é levar um pouco da história de Campo Formoso para o Rio de Janeiro. Agora, é só esperar o resultado e ver o que vai acontecer”, contou. 

Márcia Mór, que já havia lançado uma coleção de esmeraldas no começo do ano, ficou ainda mais entusiasmada com as pedras que encontrou. “Minha cabeça mudou. Eu acho que toda a rocha é preciosa, não só a pedra única, a esmeralda perfeita, mas todo o seu entorno tem o seu valor. Então, eu vou levar agora a raiz da esmeralda, a matriz da esmeralda, para a alta joalheria”, disse. 

A gemóloga Priscila Maranhão se surpreendeu com a qualidade das esmeraldas que conseguiu negociar. “Foi incrível conhecer as esmeraldas de Campo Formoso, de Carnaíba e Socotó. As esmeraldas brasileiras são muito famosas, mas eu, até então, só tinha visto, ao vivo, pedras com qualidades mais fracas, não muito boas. E aqui eu vi que temos qualidades incríveis, cores muito boas de esmeralda. Fiz bons negócios, consegui bons preços. Tem muita variedade de preço, a gente tem que negociar”, comentou. 

Com muitas pedras na bagagem, ideias na cabeça e cartões nos bolsos, o grupo aprovou o resultado da missão. “Fizemos grandes negócios. Não só pelo preço do material e tudo o que encontramos de alta qualidade, alto valor, mas principalmente pelos contatos que fizemos com os produtores locais. Sem dúvida, isso é uma fonte inesgotável de produção. O melhor negócio esteve no âmbito comercial, de fato. O próximo passo será na produção, para o abastecimento no Rio de Janeiro”, concluiu Vinícius.

 

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