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Pensata da Presidente

Celebrando as parcerias

Ano passado, quando lançamos o projeto do Procompi na Fevest falei que estávamos concretizando ali a tal convergência setorial que tanto desejávamos. Os resultados vamos testemunhar nesta próxima edição, que começa agora no dia 4 de julho. Além do desfile com as peças produzidas pelos empresários que participaram do programa, vamos ter, pela primeira vez, a comercialização de joias e bijuterias no atacado e no varejo, notícia que merece ser comemorada. A Fevest é uma das mais bem sucedidas feiras de negócios setoriais no interior do Estado, portanto, temos aí uma oportunidade de ouro para alavancar nosso mercado.

Vendo os ganhos que obtivemos para os dois lados, tanto para o pessoal de lingerie, quanto para os nossos empresários, sinto ainda mais convicção em estimular as parcerias como a principal estratégia para driblar as dificuldades e alcançar o crescimento econômico. E é esta mensagem que quero passar na pensata deste mês. Somente com inovação, tecnologia, garra e, principalmente, união vamos fazer a diferença.

Articular empresários, instituições e governos em torno de um objetivo consiste em um dos trabalhos fundamentais da Ajorio. Unir forças está no nosso DNA e é isso que fizemos junto com a Firjan, Sindvest, CNI e Sebrae, uma verdadeira sopa de letrinhas que na verdade tem um só significado: parceria. Precisamos uns dos outros para tirar os sonhos do papel, como estamos vendo com a concretização da convergência entre setores distintos que hoje dão às mãos em um projeto inovador.

Parceria é a palavra de ordem este mês. Desde 2004, contamos com o apoio do Sebrae/RJ para tocar o projeto APL Joia Carioca, que acabamos de renovar, só que, desta vez, mirando em outro objetivo: o empreendedorismo. Por isso, digo que não estamos apenas renovando um contrato, mas sim, lançando um novo programa que irá constituir o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Ajorio.  Por meio dele,  vamos ajudar micros e pequenos empresários em questões como formalização, gestão e tecnologia. Mais do que isso, vamos juntos buscar o caminho do sucesso.

Como nos exemplos que citei, encontrar parceiros que nos inspirem, nos motivem e acreditem no nosso potencial é o caminho mais eficiente para o crescimento. E também o mais bonito. Pode ser entre atores de um mesmo setor, como a Ajorio faz com seus empresários unindo as pontas da cadeia produtiva, entre entidades, como a que celebramos com o Sebrae/RJ, Firjan e CNI, ou entre setores,  como fizemos com o Sindivest e todas as instituições que nos apoiaram.

A beleza das joias e lingeries em peças únicas, a força do empreendedorismo, a abertura de novos negócios, tudo isso está acontecendo graças às parcerias que firmamos. Um brinde a elas! Vamos em frente e que a união nos inspire a buscar novos caminhos.


O que aprendemos em Campo Formoso

Este mês, realizamos nossa quinta missão  empresarial,  desta vez a Campo Formoso,  no norte da Bahia,  onde estão localizados os garimpos de esmeralda da Serra da Carnaíba e Socotó, que conhecemos, literalmente, em profundidade. Entrar em uma das minas, a 230 metros do solo, foi uma das experiências mais impactantes da viagem. Todo grupo que participou da caravana - 21 pessoas entre nossos associados e equipe da Ajorio e Firjan -, teve a experiência de descer nas minas e ver como é feita a extração da esmeralda. Ficamos muito impressionados, não só pela adrenalina de descer tão fundo presos a uma corda, mas também por constatar como é difícil o trabalho no garimpo.

É preciso muito investimento e anos de espera para conseguir boas pedras da forma como é feito em Campo Formoso, em garimpos tocados pela cooperativa de mineradores. São iniciativas individuais, que não contam com apoio do poder público e carecem de investimentos. A importância da nossa missão está em aproximar as duas pontas da cadeia, mineração de pedras preciosas e varejo de joias, e lá tivemos a oportunidade não só de fazer bons negócios, como também de conhecer a realidade da extração das gemas e vivenciar o trabalho no garimpo.

Fomos a Campo Formoso para entender quais são as batalhas do setor mineral, onde tudo começa. Porque temos muita coisa para melhorar no setor. Unindo forças, podemos trabalhar juntos por uma legislação melhor, fazer parte do marco mineral, não só dos benefícios fiscais, mas também da regulamentação da exploração, da obtenção das licenças, tanto de pesquisa, quanto de extração.

É preciso colocar na agenda de políticas públicas as demandas de todo o setor, para que nossos governantes não esqueçam que podemos até mesmo transformar o PIB do Brasil, como aconteceu em países como a Índia e a Tailândia. A riqueza mineral  pode e deve deixar renda, emprego e riqueza no nosso país.

A cadeia produtiva inteira está ligada, e quando  aproximamos os elos, vimos surgir não apenas bons negócios, como também boas ideias. Nos encontros com as autoridades locais, começamos a desenvolver uma parceria para aprimorar a lapidação e incentivar a fabricação de joias no município. O que eles têm, matéria prima de qualidade, nós queremos muito, e o que nós temos, criação, fabricação e mercado, eles também estão precisando. Nesta história, os dois lados só  têm a ganhar.

A Ajorio tem isso como DNA, juntar a cadeia inteira, o setor inteiro em um único objetivo: o de  mostrar o que esta riqueza tem, o que o Brasil tem para dizer das nossas joias, dos nossos designers, das nossas pedras. E nós mostrarmos isso para o Brasil, para o consumidor e para o mundo inteiro. Que venham as próximas missões!

O Futuro da Joia

Meu objetivo na pensata deste mês é fazer com que vocês se sintam desconfortáveis, assim como me senti ao assistir à palestra do Luís Rasquilha em um evento em São Paulo no início deste ano, o que me levou a convidá-lo para ser o novo consultor da AJORIO. Sim, o desconforto é o primeiro passo a nos levar à ação. A reflexão é necessária para entender as mudanças que estão acontecendo, e conseguirmos nos situar neste mundo fluído, em que nada mais é certo, tudo é muito dinâmico, as coisas mudam em um piscar de olhos e muitas vezes nem percebemos.

Nosso principal desafio é saber como a joia se encaixa neste novo mundo, se o nosso modelo de negócio faz sentido, o que precisamos mudar e como. A tecnologia é o principal fator das transformações, mas não é ela, em si, que nos preocupa, e sim, como ela está influenciando o comportamento das pessoas. Entender as mudanças comportamentais é a chave para entendermos nosso consumidor e dialogar melhor com ele.

Não é só a joia que está perdendo espaço nos sonhos de consumo da nova geração, que prefere a experiência ao produto, tanto aqui no Brasil quanto no exterior. Mas eu acredito que tem solução, e uma delas passa pelo resgate da experiência da joia. Precisamos ressaltar o que ela tem de bom: a emoção, o amor, o afeto, a perenidade, o fato de não virar lixo, fazer parte de uma economia circular e poder ser compartilhada. Valores que são caros aos novos padrões de consumo e que sempre fizeram parte da narrativa da joia, mas que nós fomos deixando de contar.

Mesmo apanhando tanto, sofrendo com estigmas, a joia tem valores inerentes que são muito importantes nos dias de hoje, como o fato de ser artesanal, de ser praticamente única, de ter muita tecnologia envolvida no processo. Hoje, todo mundo fala sobre impressora 3D, e o nosso setor, depois do automobilístico, foi o segundo a se apropriar desta tecnologia e ninguém sabe disso.

O que podemos aproveitar deste produto que é tão nosso e que conhecemos tão bem? O que perdemos e o que temos que resgatar? São estas as provocações que quero fazer neste mês. Tirem dez minutos do sono de vocês para pensar, e vamos arregaçar as mangas e trabalhar para reabrir os caminhos da joia.

Em tempo, cabe destacar que mais uma vez marcamos presença no Veste Rio, maior plataforma de moda do país, com enorme sucesso. Ao todo, tivemos quinze marcas participando do Salão de Negócios e do outlet, e o saldo foi mais do que positivo. Precisamos de boas notícias e elas estão aí. O mercado está começando a aquecer e vislumbro a retomada econômica do setor. O Veste Rio é um evento que mostra que temos espaço para novos criadores, e fazer parte dele demonstra não só otimismo, como também oportunidade de novos negócios, novos clientes, e de mostrar o que o Rio de Janeiro tem de mais bacana: nosso design superarrojado, diferente, com uma identidade carioca única. Isto agrada ao Brasil inteiro e ao mercado internacional. Parabéns aos empresários que nos representaram tão bem nesta edição. Sucesso para todos nós!

A força da mulher empreendedora

Na estreia de uma “pensata” que pretendo tornar mensal, justamente ao findar o mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, penso em nossa flexibilidade e na forma em que somos empreendedoras natas, já desde tempos imemoriais, em que a palavra empreendedorismo ainda não estava em voga.

No nosso setor, majoritariamente feminino, essa flexibilidade é elevada à milésima potência, afinal, não basta criar uma peça, mas também administrar o negócio, conhecer um pouco de marketing, entender de gestão, operar as vendas, e até conhecer estratégias de e-commerce. Ou seja, flexibilidade a mil por hora.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, no período de 2012 a 2017, houve um aumento de 18% no número de mulheres trabalhando por conta própria e de 30% no número de empregadoras. Ou seja, enquanto o desemprego se alastrava pelo País, mais mulheres encaravam a crise e lançavam seus próprios negócios.

Sei que as dificuldades para as mulheres no mercado de trabalho são inúmeras, mas preservo o otimismo. No último ano, as taxas de desemprego começaram a diminuir, e, mesmo longe de ideais, as diferenças salariais entre homens e mulheres também estão se estreitando. Na média, mulheres ganham 15% a menos do que os homens, porém, nos últimos dez anos, o aumento real de remuneração das mulheres foi de 21% e de homens 18%.

Acredito no empreendedorismo para igualar essa situação. Ser mulher é trabalhar, é criar, é construir. É preciso ter a crença de que estamos trilhando um caminho melhor e os números nos mostram isso. Nos últimos dez anos, houve um aumento de 55% de mulheres em cargos de direção, ainda que os salários correspondam, em média, a 67% do salário de homens nestas funções.

Tudo isso reforça a confiança no nosso potencial intelectual e laborativo. Temos que seguir em frente sem medo, estudando e trabalhando. Nossa força está na nossa criatividade e na nossa capacidade de resiliência. Juntas, nós mulheres empreendedoras, somos mais fortes.

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